sábado, 3 de dezembro de 2011

Fraude na ciência 1 - o caso do Holandês Simulador

Acadêmicos da Holanda mostraram surpresa no mês de novembro ao constatar que um de seus mais prestigiados psicólogos sociais, Diederik Stapel, inventava grande parte dos dados que eram divulgados em seus artigos, que, inclusive, chegaram a ser publicados pela revista “Science”.
Embora a suspeita da fraude já tenha sido confirmada em setembro, quando o psicólogo foi impedido de exercer suas funções como decano da Faculdade de Ciências Sociais e do Comportamento da Universidade de Tilburg (sul da Holanda), nesta semana ficou claro que o mesmo utilizava esse tipo de artifício há pelo menos oito anos.
Durante esse tempo, o psicólogo teria falsificado dezenas de publicações e pesquisas que contavam com sua supervisão. As fraudes também estão sendo analisadas por uma comissão específica sob supervisão do psicólogo lingüístico Willem Levelt.
Essa comissão procura saber, entre outras coisas, se a tese do psicólogo, com doutorado pela Universidade de Amsterdã, também apresenta dados falsos, fabricados e modificados para confirmar suas próprias hipóteses.
Seguindo as recomendações da comissão, as universidades de Groningen (ao norte do país) e Tilburg, onde o psicólogo trabalhou desde 2006, denunciaram o mesmo por fraude e falsificação de documentos no Ministério Fiscal holandês.
Um dos mais midiáticos e prestigiados da Holanda, o psicólogo social reconheceu sua fraude através de um comunicado, no qual especificava toda sua vergonha pelo ato.
“Não controlei essa pressão em publicar e sempre queria mais e mais rápido”, explicou o autor da fraude, confirmando que sua atitude não foi motivada por seu próprio interesse. Stapel também assegurou que a justiça deve se aprofundar nas razões que o motivaram a atuar dessa forma.
Alguns dos estudos mais famosos de Stapel, simpatizante de organizações contra a criação em massa de animais para o consumo, concluíram, por exemplo, que as pessoas que comem carne são mais agressivas que as vegetarianas. Após a descoberta da fraude, a objetividade destas publicações também foi colocada em dúvida.
Esse estranho caso foi divulgado depois que alguns estudantes de doutorado de Stapel repararam que o professor nunca os deixavam participar das pesquisas de dados.
O professor de psicologia afirmava para seus alunos que contava com muitos contatos em escolas que distribuíam questionários para iniciar uma pesquisa, mas, na realidade, os dados eram inventados pelo próprio acadêmico.
Segundo a comissão de investigação, o psicólogo começou a falsificar esses dados em 2000, quando trabalhava na Universidade de Groningen.
Segundo o jornal “De Volkskrant”, quando os estudantes pressionavam o professor para acompanhar suas pesquisas, Stapel abusava de sua posição de poder, colocando em dúvida a proposta de investigação de seu aluno.

(Ultimo Segundo via Diálogos Políticos)

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