sábado, 14 de novembro de 2009

Fatores de Crescimento aumentam Mortalidade!

No número de Novembro do Journal of the National Cancer Institute foram publicados os resultados de um grande estudo avaliando o uso de fatores estimuladores de eritropoiese (ESA). Um dos resultados confirma observações recentes de que ocorre um aumento do número de complicações
tromboembólicas (TVE) e mortalidade nos paciente usando ESAs. Todavia, um resultado adicional surpreendente mostra que o número de transfusões entre os pacientes usando ESAs não diminuiu em comparação com pacientes que não usaram estes fatores!!! Os ESAs, como a eritropoietina, a darbopoietina e outras drogas, são dispendiosas e seu uso em pacientes com câncer custou US$10 bilhões nos EUA em 2006. Praticamente metade de todos os pacientes com câncer dos EUA já usou ESAs alguma vez. Agora, devido aos novos resultados, o uso rotineiro e amplo de ESAs em pacientes com câncer está sendo desaconselhado e sua indicação será somente em casos específicos.

Estes resultados chamam a atenção para os problemas usuais na aprovação e comercialização de novas drogas para pacientes em geral e, especificamente, com câncer. Um conflito existe entre a pressão para aprovação de novas drogas com potencial de gerar receita e a cautela para indicar restrições no uso de novos compostos. Tanto as empresas interessadas em vender quanto os consumidores em potencial, ansiosos por novos tratamentos para sua doenças, pressionam aprovações rápidas pelas agências reguladoras. Os profissionais médicos, também, acabam sendo apressados em usar amplamente as novas ferramentas farmacológicas, no intuito de demonstrarem atualização e eficiência. Importantes considerações de segurança, assim, podem ser minimizadas, com a justificativa "ética" de disponibilizar um novo tratamento para a maioria dos pacientes. Isso pode acabar prejudicando os próprios pacientes. No caso dos ESAs, o FDA americano aprovou sua utilização em 1991, mas desde 1995 existem dados mostrando seu risco de induzir TVE. Nesse caso, o marketing agressivo, aliado à impressão de segurança que os pacientes ganharam pela suposta redução nas transfusões, impediu que essa informação mudasse a conduta antes de 2007, quando o FDA exigiu uma advertência na bula dos ESAs.

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